Quais são as doenças mais comuns em idosos

Elderly couple involved in a home blood pressure checkup, emphasizing health and care.

Escrito por Camila Izabela de Oliveira, enfermeira e mestre em Saúde Coletiva pela UnB. Última atualização: julho de 2026.

As doenças mais comuns em idosos no Brasil são a hipertensão arterial, as dores na coluna, a artrite e a artrose, a depressão e o diabetes tipo 2. Esses diagnósticos aparecem no topo do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), divulgado pelo Ministério da Saúde, que mostrou que cerca de 7 em cada 10 idosos convivem com pelo menos uma doença crônica. Além dessas condições, também são frequentes as doenças cardiovasculares, a osteoporose, as demências (como o Alzheimer), a doença de Parkinson, os problemas de visão e audição, as doenças respiratórias crônicas (DPOC) e a incontinência urinária.

Nesta página, você vai encontrar um resumo rápido das principais doenças com dados oficiais, os sinais de alerta de cada uma, o que fazer para prevenir e, principalmente, quando é hora de procurar um profissional. A ideia é ajudar famílias e cuidadores a reconhecer o que é comum no envelhecimento, o que exige atenção e o que precisa de avaliação médica sem demora.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento feito por um médico, enfermeiro, fisioterapeuta ou outro profissional de saúde. Diante de qualquer sintoma, mudança de comportamento ou dúvida, procure orientação profissional.

Quais são as doenças mais comuns em idosos: resumo com dados oficiais

A terceira idade traz transformações no organismo que aumentam a vulnerabilidade a algumas condições de saúde. Segundo o ELSI-Brasil, divulgado pelo Ministério da Saúde, cerca de 69% dos idosos brasileiros têm pelo menos uma doença crônica, e aproximadamente 30% convivem com duas ou mais ao mesmo tempo. Essa combinação de várias condições em uma mesma pessoa se chama multimorbidade e exige acompanhamento cuidadoso.

A tabela abaixo reúne as condições mais frequentes e o que caracteriza cada uma. Os percentuais variam de acordo com a idade, o sexo e o estudo consultado, por isso servem como referência, e não como diagnóstico individual.

Doença Quem afeta mais Sinal de alerta comum
Hipertensão arterial Muito comum após os 60 anos; segundo o Ministério da Saúde, perto de 6 em cada 10 pessoas acima de 65 anos Costuma ser silenciosa; quando aparece, pode causar dor de cabeça, tontura e visão turva
Dores na coluna Uma das queixas mais relatadas por idosos brasileiros Dor persistente que limita movimentos e piora a mobilidade
Artrite e artrose Frequente após os 65 anos, principalmente joelhos, quadris e mãos Dor nas articulações, rigidez pela manhã e inchaço
Depressão e transtornos mentais Comum e muitas vezes subestimada na terceira idade Perda de interesse, cansaço, insônia, isolamento e queixas físicas sem causa clara
Diabetes tipo 2 Frequente entre idosos, cerca de 1 em cada 5 Sede excessiva, urina em excesso, fadiga e visão embaçada
Doenças cardiovasculares Principal causa de morte na terceira idade Dor ou aperto no peito, falta de ar e palpitações
Osteoporose Mais comum em mulheres após a menopausa Silenciosa; muitas vezes descoberta após uma fratura por queda
Demências (Alzheimer) e Parkinson Aumentam com a idade avançada Perda de memória progressiva, confusão, tremor ou rigidez muscular
Problemas de visão e audição Muito comuns acima dos 70 e 80 anos Dificuldade para enxergar de perto ou ouvir, isolamento social
DPOC e doenças respiratórias Fortemente ligada ao histórico de tabagismo Tosse crônica, muito catarro e falta de ar que piora com esforço

Nas seções a seguir, cada condição é explicada com sintomas, fatores de risco e cuidados. Sempre que uma queixa aparecer de forma nova, intensa ou repentina, o caminho mais seguro é conversar com um profissional de saúde.

Hipertensão arterial em idosos

A hipertensão arterial é a doença crônica mais frequente na terceira idade. De acordo com o Ministério da Saúde, perto de 6 em cada 10 pessoas acima de 65 anos têm pressão alta. Ela se caracteriza pelo aumento persistente da pressão, com valores iguais ou superiores a 140 por 90 mmHg. Nessa faixa etária é comum a chamada hipertensão sistólica isolada, quando apenas a pressão máxima está elevada.

Os fatores de risco incluem sedentarismo, excesso de sal na alimentação, sobrepeso, consumo de álcool, estresse e histórico familiar. Muitos idosos não sentem nada, por isso o monitoramento regular da pressão é essencial. Quando há sintomas, dor de cabeça, tontura, falta de ar e visão turva merecem avaliação sem demora.

O controle adequado reduz muito o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e problemas nos rins. O tratamento combina medidas de estilo de vida, como redução de sal, atividade física e controle do peso, com medicação quando o médico indica. A prática de exercícios físicos regulares ajuda a manter a saúde cardiovascular, sempre com liberação e orientação profissional.

Diabetes tipo 2 na terceira idade

O diabetes tipo 2 atinge cerca de 1 em cada 5 idosos e é um dos principais desafios de saúde nessa fase. A condição se caracteriza pela resistência à insulina, que leva ao aumento da glicose no sangue. O idoso com diabetes tem maior risco de complicações como problemas nos nervos (neuropatia), na visão (retinopatia), nos rins (nefropatia) e no coração.

Entre os fatores de risco estão sedentarismo, obesidade, histórico familiar e as próprias mudanças do envelhecimento. Muitas pessoas descobrem a doença tarde, quando já há complicações. Sinais como sede excessiva, vontade de urinar com frequência, cansaço e visão embaçada devem ser investigados.

O manejo eficaz envolve monitoramento da glicemia, alimentação equilibrada com menos carboidratos refinados, atividade física moderada e uso correto dos medicamentos. O acompanhamento costuma ser feito por mais de um profissional, como clínico ou endocrinologista, oftalmologista e nutricionista, para prevenir complicações e manter a qualidade de vida.

Doenças cardiovasculares em idosos

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte na terceira idade. Incluem infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, arritmias, doença das válvulas do coração e doença cerebrovascular. O envelhecimento natural deixa as artérias mais rígidas e reduz a elasticidade do coração, o que favorece essas condições.

A aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura nas artérias, está por trás da maioria dos eventos cardiovasculares. Fatores de risco que podem ser modificados incluem tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo e obesidade. Idade e histórico familiar também pesam, embora não possam ser mudados.

Os sinais de alerta incluem dor ou aperto no peito, falta de ar, palpitações, tontura e desmaio. É importante saber que o idoso pode ter sintomas diferentes do esperado, como cansaço fora do comum ou confusão mental durante um infarto. Diante desses sinais, procure atendimento de urgência. A prevenção, com medicação orientada, mudança de hábitos e reabilitação cardíaca, é essencial para reduzir riscos.

Osteoporose e problemas ósseos

A osteoporose é uma condição silenciosa que afeta principalmente mulheres após a menopausa, mas também acomete homens. Ela se caracteriza pela redução da densidade dos ossos, o que aumenta muito o risco de fraturas, sobretudo de quadril, coluna e punho. A perda óssea se acelera após a menopausa por causa da redução do estrogênio.

Os fatores de risco incluem sedentarismo, baixa ingestão de cálcio e vitamina D, consumo excessivo de álcool, tabagismo, uso prolongado de corticoides e histórico familiar. Muitos idosos só descobrem a osteoporose depois de uma queda que resulta em fratura. A densitometria óssea é o exame indicado para o diagnóstico.

A prevenção passa por ingestão adequada de cálcio e vitamina D conforme orientação médica, exercícios de resistência e equilíbrio, e evitar tabaco e excesso de álcool. Os exercícios específicos para idosos acima de 70 anos fortalecem músculos e ossos e ajudam a reduzir o risco de quedas e fraturas, sempre com acompanhamento de fisioterapeuta ou educador físico.

Doenças neurodegenerativas: Alzheimer e Parkinson

As doenças neurodegenerativas estão entre os maiores desafios da terceira idade e afetam não só o idoso, mas toda a família. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, responsável pela maior parte dos casos. Ela causa perda progressiva de memória, confusão, desorientação e declínio das funções mentais. Já a doença de Parkinson afeta o movimento, provocando tremor, rigidez muscular, lentidão e instabilidade ao andar.

As duas resultam da degeneração de células nervosas, com redução de substâncias que ajudam o cérebro a funcionar. Entre os fatores de risco estão idade avançada, histórico familiar e traumatismo na cabeça em algum momento da vida. O diagnóstico é feito por avaliação clínica, testes de memória e, muitas vezes, exames de imagem, como ressonância ou tomografia.

Não existe cura, mas medicamentos e terapias podem retardar a progressão e melhorar os sintomas. Cuidar da saúde mental na terceira idade é fundamental nesses casos. Os exercícios físicos para idosos com Alzheimer ajudam a manter a funcionalidade e o bem-estar. O cuidado em casa, com apoio especializado, garante segurança e conforto ao longo da evolução da doença.

Artrite e artrose em idosos

A artrite e a artrose são doenças das articulações muito comuns na terceira idade e estão entre as principais causas de dor e limitação de movimento. A artrose é uma condição de desgaste da cartilagem que reveste as articulações, o que gera dor, rigidez e dificuldade para se movimentar. A artrite reumatoide, menos comum, provoca inflamação crônica das articulações e pode levar a deformidades.

Os fatores de risco para artrose incluem idade, obesidade, histórico de trauma na articulação e predisposição familiar. As articulações mais atingidas são joelhos, quadris, coluna e mãos. Os sintomas mais comuns são dor, inchaço, rigidez pela manhã e redução da amplitude de movimento.

O tratamento combina várias frentes: controle do peso, atividade física adequada, medicamentos indicados pelo médico, fisioterapia, terapia ocupacional e, em casos graves, cirurgia. Os exercícios físicos para idosos com limitações ajudam a manter força e flexibilidade, importantes para preservar a independência. O cuidador domiciliar apoia nas tarefas do dia a dia que ficam difíceis por causa da dor.

Problemas de visão e audição na terceira idade

Os problemas sensoriais são muito frequentes em idosos e afetam a qualidade de vida, a independência e o bem-estar emocional. A visão muda com a idade por causa de alterações na córnea, no cristalino e na retina. A catarata, que é a opacificação do cristalino, é bastante comum acima dos 80 anos. O glaucoma, ligado ao aumento da pressão dentro do olho, pode levar à cegueira se não for tratado. A degeneração macular relacionada à idade também é uma causa importante de perda de visão.

A audição igualmente declina com a idade. A presbiacusia, que é a perda auditiva do envelhecimento, começa nos sons mais agudos e avança aos poucos. Isso prejudica a comunicação, favorece o isolamento social e pode aumentar o risco de depressão e de declínio das funções mentais.

A detecção precoce, com exames de vista e de audição regulares, é essencial. Os tratamentos incluem óculos, cirurgia de catarata, aparelhos auditivos e, em casos selecionados, implantes. Essas medidas melhoram muito a qualidade de vida e a autonomia do idoso.

Doenças respiratórias crônicas em idosos

As doenças respiratórias crônicas, principalmente a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), afetam parte da população idosa e estão fortemente ligadas ao histórico de tabagismo, responsável pela maioria dos casos. A exposição a poeiras e produtos químicos no trabalho também contribui. A DPOC causa obstrução da passagem de ar nos pulmões, com enfisema e bronquite crônica.

Os sintomas incluem tosse crônica, produção de catarro, falta de ar que piora com o esforço e chiado no peito. As crises, muitas vezes desencadeadas por infecções respiratórias, podem ser graves nessa faixa etária. A asma também é comum em idosos e às vezes aparece junto com a DPOC.

O tratamento envolve parar de fumar, uso de medicamentos inalatórios (broncodilatadores e corticoides), reabilitação pulmonar e vacinação contra gripe e pneumonia. Em casos com baixa oxigenação no sangue, o uso de oxigênio prescrito melhora a qualidade de vida. Idosos com doença respiratória grave se beneficiam de monitoramento constante e apoio em casa.

Incontinência urinária em idosos

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina e é bem mais comum na terceira idade do que muitas famílias imaginam. Ela afeta a qualidade de vida, a autoestima e pode levar ao isolamento social. Existem vários tipos: de esforço (perda ao tossir, espirrar ou fazer força), de urgência (vontade súbita de urinar), mista e por transbordamento.

Entre os fatores de risco estão o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, alterações neurológicas, infecções urinárias de repetição, prisão de ventre, alguns medicamentos e o excesso de cafeína. As mulheres são mais afetadas, sobretudo após a menopausa. Nos homens, o aumento da próstata é uma causa frequente.

A avaliação com um médico é essencial para identificar o tipo e a causa. O tratamento inclui mudanças de comportamento, treinamento da bexiga, exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico, medicamentos e, em casos que não respondem, cirurgia. O cuidador domiciliar ajuda na higiene, na prevenção de infecções e na preservação da dignidade do idoso.

Depressão e transtornos mentais na terceira idade

Os transtornos mentais são frequentemente subestimados em idosos e, muitas vezes, confundidos com o envelhecimento normal ou com efeito de remédios. A depressão é comum na terceira idade e pode se apresentar de forma diferente da que ocorre em pessoas mais jovens: em vez de tristeza evidente, o idoso pode relatar cansaço, insônia, queixas físicas sem causa clara ou afastamento das pessoas.

Os fatores de risco incluem perdas importantes (morte do cônjuge, de amigos ou da independência), doenças crônicas, dor persistente, isolamento social, alguns medicamentos e histórico de transtorno mental. Ansiedade e insônia também são frequentes. A depressão não tratada aumenta o risco de suicídio, que é uma preocupação real na terceira idade, especialmente entre homens mais velhos. Diante de sinais de sofrimento ou de qualquer menção a não querer viver, procure ajuda profissional imediatamente. Em situação de crise, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188.

Cuidar da saúde mental na terceira idade pede uma abordagem que pode incluir psicoterapia, medicação quando indicada, atividade física regular, convívio social e tratamento das doenças físicas associadas. O cuidador domiciliar oferece companhia, estímulo e atenção ao bem-estar emocional, ajudando a prevenir o isolamento.

Doenças crônicas mais comuns em idosos

As condições crônicas definem a saúde da maioria dos idosos. Segundo o ELSI-Brasil, cerca de 69% têm pelo menos uma doença crônica e aproximadamente 30% têm duas ou mais. Essa multimorbidade torna o cuidado mais complexo, aumenta o risco de interações entre medicamentos e pode dificultar a adesão ao tratamento. As doenças crônicas mais comuns em idosos costumam aparecer juntas, o que pede um olhar integrado.

As principais incluem hipertensão, dores na coluna, diabetes, doenças cardiovasculares, DPOC, artrite, artrose, osteoporose e doenças neurodegenerativas. Cada uma exige acompanhamento regular, uso correto de medicamentos e ajustes no estilo de vida. Como muitos idosos tomam vários remédios ao mesmo tempo (polifarmácia), aumenta o risco de efeitos adversos, quedas e interações, o que reforça a importância da revisão periódica com médico e farmacêutico.

O manejo eficaz pede uma abordagem completa e coordenada. Programas de reabilitação, educação em saúde, acompanhamento com os especialistas certos e apoio em casa fazem diferença. Materiais de referência em PDF sobre doenças mais comuns em idosos podem ajudar na orientação de pacientes e familiares.

Por que idosos são mais vulneráveis a doenças

O envelhecimento é um processo biológico que leva ao declínio gradual de várias funções do corpo e aumenta a vulnerabilidade a doenças. Essa vulnerabilidade resulta de vários fatores que afetam os sistemas imunológico, cardiovascular, nervoso, dos músculos e ossos e o metabolismo. Vale lembrar que a presença de doenças crônicas não significa, por si só, perda de autonomia: com bom acompanhamento, muitos idosos mantêm vida ativa e independente.

Declínio do sistema imunológico: com a idade, a defesa do corpo responde de forma mais lenta a infecções e a vacinas. Uma inflamação crônica de baixa intensidade, chamada de “inflammaging”, aumenta a suscetibilidade a infecções e a outras doenças.

Alterações cardiovasculares: as artérias ficam mais rígidas, o que eleva a pressão e reduz a eficiência do coração. A aterosclerose avança de forma silenciosa e aumenta o risco de infarto e AVC.

Declínio neurológico: a redução de neurônios e de substâncias que ajudam o cérebro, além do acúmulo de proteínas anormais, favorece as doenças neurodegenerativas. Um leve declínio da memória pode ser comum, mas a demência não faz parte do envelhecimento normal.

Perda muscular e óssea: a sarcopenia, que é a perda de massa e força muscular, se acelera com a idade. A redução da densidade dos ossos, principalmente em mulheres após a menopausa, aumenta o risco de fraturas. Essas mudanças reduzem a mobilidade e elevam o risco de quedas.

Alterações metabólicas: a resistência à insulina aumenta com a idade e favorece o diabetes tipo 2. A redução do metabolismo pode levar a ganho de peso, e mudanças hormonais afetam várias funções do corpo.

Redução da reserva do corpo: o idoso tem menor capacidade de reagir a situações de estresse físico. Uma infecção que pareceria leve pode se agravar, e uma queda simples pode causar fratura. Isso explica por que muitos idosos apresentam sintomas diferentes do esperado.

Quando procurar um profissional de saúde

Nem todo desconforto vira urgência, mas alguns sinais pedem avaliação sem demora. Use a lista abaixo como um guia prático, lembrando que ela não substitui a orientação de um profissional.

Procure atendimento de urgência (ou ligue para o SAMU 192) diante de:

  • Dor ou aperto no peito, falta de ar intensa ou desmaio
  • Fraqueza súbita em um lado do corpo, boca torta ou fala embolada (possível AVC)
  • Queda com muita dor, deformidade ou impossibilidade de se levantar
  • Confusão mental que apareceu de repente, febre alta ou muita sonolência
  • Falta de ar que piora rápido em quem tem doença respiratória

Marque uma consulta em breve quando notar:

  • Pressão, glicemia ou colesterol fora do controle habitual
  • Perda de memória que atrapalha as tarefas do dia a dia
  • Tristeza, desânimo ou perda de interesse por mais de duas semanas
  • Perda de peso sem explicação, quedas repetidas ou tonturas frequentes
  • Dor articular que limita o movimento ou perda de audição e visão

Manter uma lista atualizada de medicamentos e levar dúvidas anotadas às consultas ajuda o profissional a cuidar melhor do idoso.

Prevenção e cuidados para doenças em idosos

A prevenção é fundamental para manter saúde e qualidade de vida nessa fase. Não é possível evitar o envelhecimento, mas bons hábitos e acompanhamento regular ajudam a retardar a progressão das doenças e a preservar a independência.

Atividade física regular: o exercício é uma das medidas mais eficazes para prevenir e controlar doenças crônicas. A Organização Mundial da Saúde recomenda cerca de 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, além de exercícios de força pelo menos duas vezes por semana. Os exercícios físicos para idosos em casa são acessíveis e seguros quando bem orientados. Os manuais de exercícios oferecem orientação estruturada. Antes de começar, é importante ter liberação médica.

Alimentação saudável: uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras saudáveis ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e declínio das funções mentais. A ingestão adequada de proteína previne a perda muscular. Cálcio e vitamina D são importantes para os ossos.

Controle do peso: o excesso de peso aumenta o risco de diabetes, doenças do coração e problemas nas articulações. Manter um peso saudável reduz a sobrecarga nas juntas e melhora a mobilidade.

Parar de fumar: nunca é tarde para deixar o cigarro. Os benefícios começam logo e reduzem o risco de infarto, AVC e câncer. O tabagismo acelera o envelhecimento e piora as doenças crônicas.

Moderação com álcool: o consumo excessivo aumenta o risco de doenças do fígado, câncer, quedas e declínio das funções mentais. O ideal é conversar com o médico sobre o que é adequado em cada caso.

Acompanhamento médico regular: exames preventivos detectam doenças em estágios iniciais, quando o tratamento funciona melhor. Monitorar pressão, glicemia e colesterol é essencial. A vacinação em dia, incluindo gripe, pneumonia e outras indicadas pelo calendário do idoso, reduz o risco de infecções graves.

Prevenção de quedas: as quedas são um problema de saúde pública na terceira idade. Segundo estimativas usadas pelo Ministério da Saúde, cerca de 28% dos idosos sofrem ao menos uma queda por ano. Ambientes iluminados, sem tapetes soltos, com barras de apoio no banheiro e calçados firmes ajudam a prevenir acidentes.

Gerenciamento de medicamentos: a revisão periódica dos remédios com médico e farmacêutico reduz interações e efeitos indesejados. Tomar os medicamentos como prescrito é essencial para controlar as doenças crônicas.

Convívio social e estímulo mental: o isolamento aumenta o risco de depressão e de declínio das funções mentais. Atividades sociais, hobbies e novos aprendizados mantêm o cérebro ativo e melhoram o humor.

Sono adequado: dormir bem, em torno de 7 a 8 horas, reduz o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e problemas de memória. Uma rotina regular de sono e um ambiente confortável ajudam.

Cuidados domiciliares especializados: para idosos com condições crônicas complexas ou limitações, o cuidador domiciliar oferece apoio essencial. Ajuda nas atividades do dia a dia, observação de sintomas, acompanhamento a consultas e organização de medicamentos, além de companhia e estímulo, garantindo segurança e conforto.

Perguntas Frequentes

Qual é a doença mais comum em idosos?

A hipertensão arterial é a doença crônica mais comum na terceira idade. Segundo o Ministério da Saúde, perto de 6 em cada 10 pessoas acima de 65 anos têm pressão alta. Por ser muitas vezes silenciosa, o monitoramento regular é essencial. Outras condições muito frequentes são dores na coluna, artrite, depressão e diabetes tipo 2, que costumam aparecer junto com a hipertensão.

Como prevenir doenças na terceira idade?

A prevenção combina várias medidas: praticar atividade física regular (cerca de 150 minutos de exercício moderado por semana), manter uma alimentação saudável, controlar o peso, parar de fumar, moderar o álcool, fazer acompanhamento médico com exames preventivos, manter a vacinação em dia, revisar os medicamentos periodicamente, prevenir quedas em casa, manter convívio social, dormir bem e cuidar do estresse. Essas atitudes ajudam a retardar a progressão das doenças crônicas e a preservar a independência. Vale conferir cada medida com o profissional que acompanha o idoso.

Quais são as doenças crônicas mais frequentes em idosos?

De acordo com o ELSI-Brasil, as condições crônicas mais frequentes na terceira idade são hipertensão arterial, dores na coluna, artrite e artrose, depressão e diabetes tipo 2. Também são comuns as doenças cardiovasculares, a osteoporose, as doenças respiratórias (DPOC e asma), as doenças neurodegenerativas (Alzheimer e Parkinson), os problemas de visão e audição e a incontinência urinária. Cerca de 69% dos idosos têm pelo menos uma doença crônica, e aproximadamente 30% têm duas ou mais, o que exige acompanhamento integrado.

Por que idosos desenvolvem mais doenças?

Os idosos desenvolvem mais doenças por causa de vários fatores do envelhecimento: o sistema imunológico responde de forma mais lenta a infecções e vacinas; as artérias ficam mais rígidas, elevando a pressão e o risco cardiovascular; a redução de neurônios favorece doenças neurodegenerativas; a perda de massa muscular (sarcopenia) e de densidade óssea aumenta o risco de quedas e fraturas; a resistência à insulina favorece o diabetes; e o corpo tem menor capacidade de reagir a situações de estresse físico. Além disso, a exposição a fatores de risco ao longo da vida, como tabagismo e sedentarismo, contribui bastante.

Qual é a idade considerada terceira idade?

No Brasil, a Lei 10.741, o Estatuto do Idoso (hoje chamado de Estatuto da Pessoa Idosa), considera idosa a pessoa com 60 anos ou mais, em linha com a Organização Mundial da Saúde. Alguns estudos diferenciam a terceira idade (de 60 a 79 anos) da chamada quarta idade (80 anos ou mais), já que idosos mais longevos podem ter necessidades de saúde e de cuidado bem diferentes.

Fontes

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Camila Izabela de Oliveira

Camila Izabela de Oliveira é enfermeira, formada em Enfermagem e mestre em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília (UnB), com especializações em atenção primária e gerontologia. Seu trabalho tem foco na qualidade dos cuidados paliativos e na formação de profissionais cuidadores, área em que ajudou a criar um dos primeiros cursos de cuidador do Brasil, com mais de 100 horas de instrução. No blog Cuidadores para Idosos, escreve e revisa os conteúdos de enfermagem e cuidado clínico, como cuidados diários, incontinência, feridas, medicação, cuidados paliativos e sinais de alerta na saúde do idoso.

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